Saúde Mental e Trabalho

Por 2 de abril de 2026Artigos, Filosofia, Negócios

Estar bem mentalmente é estar em conformidade com todo o corpo, para isso é preciso que as configurações no ambiente de trabalho sejam de acordo com o bem estar da pessoa contratada. Um corpo saudável funciona melhor em todos os aspectos, das funções estabelecidas ao relacionamento interpessoal com os outros. 

Para Platão, a harmonia da alma, onde a razão governa desejos e emoções, também engloba a saúde mental. Assim como um corpo se torna forte e saudável quando está em ordem e fraco quando não está, o mesmo acontece com a alma.

Quando abordamos sobre a estabilidade mental e o trabalho precisamos entender os limites físicos e psicológicos que cada ser humano pode ter. O trabalho deve ser apenas uma parte da sua vida, a totalidade remove as individualidades e momentos de engrandecimento da própria alma. Descansar o corpo e mente reestrutura organicamente a energia e saúde, mas para que aconteça é preciso analisar as possibilidades de mudanças no âmbito laboral. 

Descanso 

Reservar momentos para analisar o mundo e entender sobre o que gosta está conectado à nutrição da alma. Além de não sermos máquinas, o descanso é necessário e obrigatório para reestruturar o físico e também o mental. Os casos de burnout exemplificam quando a alma entra em desequilíbrio e desse conflito resulta em uma disfunção mental. 

A partir de um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), revela que em 2024, no emprego formal, o Brasil registrou meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais decorrentes de condições desfavoráveis no trabalho.

O autoconhecimento e a prática da moderação, em evitar excessos, são essenciais para a saúde da alma, há um limite orgânico até a autodestruição do ser humano porque as cargas altas de funções no trabalho demandam um esforço absurdo e enquanto aquele lugar for a única forma de sobrevivência a pessoa se sente trancafiada em um infinito de desequilíbrio. 

Mudanças  

Os métodos aplicados de humanização em empresas deveriam partir de uma obrigação, mas por conta da falta de fiscalização e sucateamento da saúde populacional, é visto como um diferencial nos benefícios oferecidos no ato de contratação. 

A harmonia, lazer, descanso e tempo são escassos nos modelos de trabalho, porém essas lacunas podem ser preenchidas com alterações internas para que prevaleça um bem estar entre o físico e o mental. Para entender o propósito e aplicá-lo, é necessário que conscientemente as estruturas de liderança pertencentes ao mercado de trabalho queiram tornar o ambiente em equilíbrio com a saúde da alma. 

Na mesma pesquisa de Marilane Teixeira, aponta-se a possibilidade de redução da jornada de trabalho: a adoção da escala 4×3 impactaria diretamente cerca de 76 milhões de trabalhadores, enquanto a migração para uma jornada de 40 horas semanais, em escala 5×2, beneficiaria aproximadamente 45 milhões. Com mais tempo disponível para o descanso e a reorganização do bem-estar, seria possível construirmos uma sociedade mais saudável, equilibrada e alinhada às necessidades humanas.

Para uma completude saudável, o ser humano não pode estar em sobrecarga. Todos os segmentos da vida precisam estar em sintonia e equilíbrio para que o corpo não adoeça, e se torne apenas uma matéria no espaço sem qualquer essência e particularidade.

No Espaço Ética, acreditamos em ambientes de trabalho que prezam pelo bem estar e harmonia de todo organismo que compõe uma empresa. O professor Clóvis de Barros convida você a refletir sobre como as empresas podem entender a importância da saúde mental e a descobrir como a filosofia pode contribuir para relações profissionais mais humanizadas e éticas.